Compreender que uma palavra pode apresentar diferentes significados é uma aprendizagem muito importante para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Pensando nisso, preparamos uma atividade de polissemia para o 5º ano, com exercícios diversificados, leitura, interpretação, tirinha, produção escrita e gabarito.
O material foi elaborado para ajudar os estudantes a perceberem que o significado de uma palavra não depende apenas dela isoladamente. É preciso observar toda a frase, identificar as pistas oferecidas pelo texto e considerar a situação em que a palavra está sendo utilizada.
Essa habilidade acompanha o aluno em diferentes momentos da vida escolar. Ela aparece na leitura de textos literários, notícias, tirinhas, textos científicos, propagandas, problemas matemáticos e até mesmo nas conversas do cotidiano.
A atividade está disponível gratuitamente e pode ser utilizada em aulas de Língua Portuguesa, revisões, avaliações diagnósticas, intervenções pedagógicas ou tarefas de casa.
O que é polissemia?
A polissemia acontece quando uma mesma palavra apresenta mais de um significado, de acordo com o contexto em que foi empregada.
Observe a palavra banco:
- A família sentou-se no banco da praça.
- Meu tio foi ao banco pagar uma conta.
Na primeira frase, a palavra banco indica um assento. Na segunda, refere-se a uma instituição financeira. A palavra continua sendo escrita e pronunciada da mesma maneira, mas o seu significado muda.
O mesmo acontece com palavras como ponto, linha, campo, folha, cabeça, planta, corrente, massa, raiz, rede e chave.
Para descobrir qual significado está sendo utilizado, o estudante precisa observar as outras palavras da frase. São elas que funcionam como pistas e ajudam o leitor a construir o sentido correto.
Por que trabalhar polissemia no 5º ano?
No 5º ano, os alunos já possuem uma experiência maior com diferentes gêneros textuais. Eles leem contos, poemas, notícias, textos informativos, histórias em quadrinhos, propagandas, relatos e textos relacionados a outras áreas do conhecimento.
Nessa etapa, não basta apenas localizar informações explícitas. É necessário compreender expressões, reconhecer sentidos figurados, fazer inferências e perceber como uma palavra pode mudar de significado conforme o assunto tratado.
O estudo da polissemia contribui para que o aluno leia com mais atenção e autonomia. Também favorece a ampliação do vocabulário e ajuda a evitar interpretações equivocadas.
Ao perceber que o contexto interfere no significado, o estudante começa a observar o texto de maneira mais investigativa. Ele deixa de analisar palavras isoladas e passa a estabelecer relações entre as informações.
O que a atividade de polissemia para o 5º ano trabalha?
A sequência apresenta uma progressão de dificuldade cuidadosamente organizada. Ao longo das seis páginas de atividades, os estudantes são convidados a comparar significados, identificar pistas contextuais, interpretar situações de humor e produzir frases.
Uma palavra, muitos sentidos
Na primeira página, os alunos analisam palavras como ponto, linha e banco em diferentes frases. Quando apresentei a frase do ‘banco’, metade já gritou que era o banco da praça e a outra metade lembrou da fila do banco para pagar contas com os pais.
Eles precisam explicar o significado apresentado em cada situação e sublinhar as pistas que ajudaram na compreensão. Ao final, respondem por que uma mesma palavra pode apresentar sentidos diferentes.
Essa primeira atividade permite observar os conhecimentos prévios da turma e introduzir o conceito de maneira concreta.
Uso científico, cotidiano e figurado
Na segunda página, os estudantes comparam palavras utilizadas em contextos científicos e cotidianos.
Entre os exemplos aparecem:
- raiz;
- massa;
- corrente;
- campo.
A palavra raiz, por exemplo, pode indicar a parte de uma planta que absorve água e sais minerais ou a origem de um problema. Já corrente pode representar um fluxo elétrico ou o movimento da água de um rio.
Além de explicar os significados, os alunos analisam o tipo de uso e registram as pistas encontradas no contexto.
Essa proposta possibilita uma integração interessante entre Língua Portuguesa e Ciências. Essa integração com Ciências é um verdadeiro achado, pois evita aquela clássica pergunta dos alunos: ‘Professor, mas essa aula é de Português ou de Ciências?’.
Leitura e compreensão textual
A terceira página apresenta o texto “O campo que não se vê”.
Antes da leitura, os alunos formulam hipóteses a partir do título e da imagem. Em seguida, acompanham uma situação em que um estudante observa o uso da palavra campo em dois momentos diferentes: o campo magnético produzido por um ímã e o campo da escola onde os colegas jogam futebol. A leitura do Pedro com o ímã gerou um debate engraçado por aqui, já que a maioria queria logo sair correndo para o campo de futebol na hora do recreio.
Depois da leitura, a turma responde questões de compreensão, identifica pistas do texto e explica a conclusão da personagem sobre a importância do contexto.
O trabalho com hipóteses antes da leitura ajuda a desenvolver estratégias leitoras e incentiva os estudantes a relacionarem informações verbais e visuais.
Detetives do contexto
Na quarta página, os alunos assumem o papel de “detetives” e investigam palavras que aparecem com sentidos diferentes.
São trabalhadas as palavras:
- volume;
- rede;
- célula;
- pressão.
O estudante deve explicar o sentido apresentado em cada frase e localizar elementos que funcionam como pistas.
A palavra volume, por exemplo, pode indicar a quantidade de espaço ocupada por um objeto ou a intensidade do som de uma televisão. A palavra pressão pode aparecer em uma medição científica ou representar a tensão emocional sentida antes de uma competição. Sempre aviso meus alunos para prestarem atenção em ‘pressão’, pois eles lembram de imediato do aparelho de medir pressão do avô antes da pressão do ar.
Essa atividade exige atenção, comparação e justificativa, evitando respostas baseadas apenas na memorização.
Polissemia e efeito de humor
A quinta página apresenta a tirinha “A chave da questão”.
Na história, uma menina afirma que precisa encontrar a chave para resolver uma questão. O menino entende a palavra chave como o objeto utilizado para abrir uma porta e oferece a própria chave. A menina esclarece que não estava falando daquele tipo de chave.
O humor acontece porque os personagens interpretam a mesma palavra de maneiras diferentes. A tirinha do menino entregando a chave de metal arrancou risadas na sala e ajudou a fixar o duplo sentido muito mais do que qualquer explicação teórica.
Após a leitura, os alunos explicam os dois sentidos, identificam pistas verbais e visuais e analisam como a polissemia contribui para a construção do humor.
Também há um desafio criativo no qual os estudantes produzem uma fala engraçada usando palavras como vela, folha, cabeça ou planta.
Síntese e produção escrita
Na última página de atividades, a turma completa uma tabela com dois significados para as palavras folha, cabeça, bateria e planta. Sempre corrijo essa tabela circulando pelas carteiras, adorando ver as frases malucas que eles inventam para ‘manga’ e ‘cabeça’.
Depois, cada aluno escolhe uma das palavras e escreve duas frases, utilizando-a com sentidos diferentes.
Para concluir, os estudantes explicam com suas próprias palavras:
- o que é polissemia;
- por que o contexto é importante para compreender uma palavra.
Esse momento final permite verificar se o aluno realmente compreendeu o conteúdo, pois ele precisa aplicar o conhecimento em uma produção própria.
Habilidades da BNCC
A atividade relaciona-se principalmente à seguinte habilidade da Base Nacional Comum Curricular:
EF05LP02 — Identificar o caráter polissêmico das palavras, comparando o significado de determinados termos utilizados nas áreas científicas com esses mesmos termos utilizados na linguagem usual.
A proposta também favorece o desenvolvimento da habilidade:
EF35LP05 — Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas em textos, com base no contexto da frase ou do texto.
Além dessas habilidades, a sequência contribui para o desenvolvimento da leitura autônoma, da interpretação de textos verbais e visuais, da argumentação e da produção de frases coerentes.
Objetivos pedagógicos
Com esta atividade de polissemia para o 5º ano, espera-se que os estudantes sejam capazes de:
- compreender o conceito de polissemia;
- reconhecer diferentes significados de uma mesma palavra;
- utilizar pistas do contexto durante a leitura;
- comparar o uso científico, cotidiano e figurado das palavras;
- interpretar o efeito de humor provocado pela ambiguidade;
- formular hipóteses antes da leitura;
- justificar respostas com base no texto;
- produzir frases utilizando palavras polissêmicas;
- ampliar o vocabulário;
- desenvolver maior autonomia leitora.
Como aplicar a atividade em sala de aula
Antes de entregar as folhas, escreva no quadro uma palavra conhecida pela turma, como manga.
Pergunte aos alunos o que essa palavra pode significar. Provavelmente, alguns mencionarão a fruta e outros falarão da parte de uma camisa. Em seguida, escreva duas frases:
“A menina tomou suco de manga.”
“A manga da camisa ficou molhada.”
Converse com a turma sobre as palavras que ajudaram a descobrir cada significado. No primeiro exemplo, “suco” indica que se trata da fruta. No segundo, “camisa” mostra que a palavra se refere a uma parte da roupa.
Depois dessa conversa inicial, apresente o conceito de polissemia e distribua as atividades.
Durante a realização, incentive os estudantes a sublinharem ou circularem as pistas do contexto. Evite confirmar imediatamente se uma resposta está correta. Pergunte: “Qual parte da frase fez você pensar nesse significado?”
Essa pergunta ajuda o aluno a explicar o próprio raciocínio.
Sugestão de organização da sequência
A atividade pode ser realizada em diferentes aulas.
Na primeira aula, trabalhe as páginas 1 e 2, explorando os significados das palavras e a comparação entre a linguagem científica e a linguagem cotidiana.
Na segunda aula, desenvolva a leitura da página 3. Faça a etapa de antecipação oralmente, leia o texto com a turma e promova uma correção dialogada.
Na terceira aula, utilize a página 4 como uma atividade de investigação. Os alunos podem trabalhar em duplas para discutir os significados e localizar as pistas.
Na quarta aula, explore a tirinha da página 5 e converse sobre outros exemplos de humor construídos com palavras de sentidos diferentes.
Finalize com a página 6, que funciona como uma síntese e também como uma oportunidade de avaliação da aprendizagem.
Possibilidades de adaptação
Para alunos que precisam de mais apoio, leia as frases em voz alta e destaque as palavras que funcionam como pistas. Também é possível oferecer duas opções de significado para que o estudante escolha a mais adequada.
Outra estratégia é utilizar imagens. Mostre, por exemplo, a imagem de uma folha de árvore e a de uma folha de papel. Depois, peça que o aluno produza oralmente uma frase para cada imagem.
Para estudantes que já dominam o conteúdo, proponha a criação de uma pequena tirinha baseada em uma palavra polissêmica. Eles podem trabalhar com palavras como cabeça, manga, banco, linha, planta, vela ou ponto.
Também é possível solicitar uma pesquisa no dicionário para descobrir outros significados das palavras apresentadas no material.
Como avaliar a aprendizagem
Durante a realização das atividades, observe se o estudante:
- identifica corretamente os diferentes significados;
- utiliza informações do contexto para justificar a resposta;
- compreende o uso figurado de algumas palavras;
- diferencia o uso científico do uso cotidiano;
- percebe o efeito de humor na tirinha;
- produz frases claras e coerentes;
- explica o conceito de polissemia com suas próprias palavras.
Mais importante do que apresentar uma definição decorada é demonstrar que compreendeu como o contexto orienta a construção do sentido.
Respostas diferentes das apresentadas no gabarito podem ser aceitas quando forem coerentes com a frase e estiverem bem justificadas.
Atividade de polissemia com gabarito
O material acompanha um gabarito organizado para facilitar a correção e o planejamento do professor.
Nas questões abertas e nas produções criativas, o gabarito apresenta possibilidades de resposta. Por isso, é importante considerar outras formulações equivalentes produzidas pelos estudantes.
A correção coletiva pode transformar-se em um momento muito rico. Ao comparar respostas, a turma percebe que uma explicação pode ser escrita de maneiras diferentes sem perder o sentido.
Baixe gratuitamente a atividade de polissemia para o 5º ano
A atividade foi preparada em formato PDF, com páginas em preto e branco, margens adequadas para impressão e ilustrações que podem ser coloridas pelos alunos.
O arquivo contém:
- seis páginas de atividades;
- exercícios de identificação e comparação de sentidos;
- leitura e interpretação de texto;
- análise de pistas contextuais;
- tirinha com efeito de humor;
- produção escrita;
- uma página de gabarito.
Clique no botão de download disponível ao final desta postagem e salve gratuitamente a atividade de polissemia para o 5º ano.
Esperamos que este material contribua para uma aula significativa, participativa e cheia de boas descobertas sobre as palavras e seus diferentes sentidos.
Direitos autorais e termo de uso
Este material foi elaborado para uso pedagógico e disponibilizado gratuitamente pelo site Atividades de Alfabetização.
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