As brincadeiras fazem parte da infância, mas também contam histórias sobre as pessoas, os lugares e as diferentes formas de viver. Por isso, trabalhar uma atividade sobre brincadeiras antigas e atuais para o 5º ano é uma maneira significativa de aproximar os alunos de conceitos históricos que, muitas vezes, parecem distantes ou abstratos.
Quando uma criança pergunta aos avós do que eles brincavam, observa uma fotografia antiga ou compara uma brincadeira de rua com um jogo no celular, ela começa a perceber que o tempo provoca mudanças, mas também preserva costumes. Algumas brincadeiras desaparecem, outras são transformadas e muitas continuam sendo ensinadas de uma geração para outra.
Pensando nessa possibilidade de aprendizagem, preparamos uma atividade gratuita de História sobre as brincadeiras de ontem e de hoje. O material conduz os estudantes por diferentes propostas de leitura, observação, comparação, pesquisa, entrevista e reflexão.
Mais do que descobrir quais brincadeiras eram praticadas antigamente, os alunos serão convidados a pensar sobre memória, fontes históricas, convivência, tecnologia e respeito às experiências de outras gerações.
Por que estudar as brincadeiras nas aulas de História?
As crianças costumam associar História a acontecimentos muito antigos, personagens importantes, monumentos e datas. No entanto, a História também está presente na vida cotidiana, nas lembranças familiares, nos objetos, nas fotografias, nas músicas, nas festas e nas brincadeiras.
Eu mesma já perdi as contas de quantas vezes tentei explicar um conceito histórico complexo e vi os alunos bocejando, mas bastou perguntar do que os avós brincavam para a sala inteira virar um alvoroço de curiosidade.
Uma brincadeira pode revelar muito sobre uma época. Os materiais utilizados, o lugar onde as crianças brincavam, as pessoas que participavam e as regras ensinadas mostram aspectos da organização social e da cultura de uma comunidade.
Brincadeiras como amarelinha, pular corda, bolinha de gude, esconde-esconde, pipa e pião atravessaram diferentes gerações. Algumas continuam bastante conhecidas, enquanto outras aparecem com menor frequência na rotina das crianças.
Ao mesmo tempo, novos modos de brincar surgiram com o desenvolvimento das tecnologias. Videogames, jogos em aplicativos e brincadeiras realizadas em ambientes digitais passaram a ocupar parte do tempo livre de muitas crianças.
Vou ser bem sincera com vocês, proferas: ver a molecada de hoje trancada no quarto jogando no celular me dá uma saudade danada da época em que a nossa única preocupação era não gastar o dedão jogando bolinha de gude na terra.
O objetivo da atividade não é apresentar as brincadeiras antigas como melhores ou mais importantes do que as atuais. A proposta é ajudar o aluno a compreender que cada forma de brincar está relacionada ao contexto histórico, aos recursos disponíveis e aos espaços de convivência de determinado período.
O que os alunos poderão aprender com a atividade?
A sequência possibilita que os estudantes identifiquem mudanças e permanências nas formas de brincar. Eles poderão perceber que algumas práticas continuam presentes, mesmo com as transformações ocorridas na sociedade.
O material também favorece a compreensão do conceito de fonte histórica. Uma fotografia, uma ilustração, um relato oral e uma entrevista podem fornecer informações sobre o passado. O aluno começa, assim, a entender que o conhecimento histórico é construído por meio da análise de diferentes registros.
Outro ponto importante é a valorização da memória das famílias e da comunidade. Ao conversar com uma pessoa mais velha, a criança tem acesso a experiências que não aparecem necessariamente nos livros didáticos. Essa conversa transforma uma lembrança pessoal em uma oportunidade de pesquisa e aprendizagem.
A atividade ainda promove reflexões sobre respeito, convivência, regras e participação. Brincar coletivamente exige diálogo, organização, cuidado com o outro e cumprimento de acordos.
Como a atividade está organizada?
O material apresenta seis páginas de atividades com propostas variadas, seguidas por um gabarito completo para auxiliar o professor durante a correção.
Leitura inicial sobre as brincadeiras de ontem e de hoje
Na primeira página, os alunos encontram um pequeno texto introdutório explicando que as brincadeiras fazem parte da vida das crianças em diferentes tempos.
A leitura mostra que algumas brincadeiras passam de geração em geração, enquanto outras surgem em razão das mudanças na sociedade, nos espaços de convivência e nas tecnologias.
Depois da leitura, os estudantes respondem a questões de interpretação, reconhecem uma brincadeira transmitida entre gerações e relacionam diferentes formas de brincar aos espaços abertos, fechados ou digitais.
Essa página pode ser utilizada como introdução ao tema ou como atividade diagnóstica. As respostas ajudarão o professor a identificar o que a turma já sabe sobre brincadeiras antigas e atuais.
Análise de uma fonte visual
Na segunda página, os alunos observam uma cena com crianças brincando de pipa, corda, bolinha de gude e amarelinha.
A proposta incentiva uma observação mais atenta da imagem. Os estudantes precisam identificar as brincadeiras, procurar pistas sobre o tempo representado e explicar o que aquela fonte visual pode revelar sobre a vida das crianças.
É uma atividade importante para mostrar que uma imagem não serve apenas para ilustrar um conteúdo. Ela também pode ser analisada como uma fonte de informações. Na minha escola, quando coloco uma imagem antiga no quadro, eles começam a rir das roupas e dos cortes de cabelo das crianças, e é justamente esse choque visual que eu uso para fisgar a atenção deles para a matéria.
O professor pode ampliar a conversa perguntando quais elementos da cena continuam presentes atualmente e quais parecem diferentes da realidade vivida pelos alunos.
Comparação entre passado e presente
Na terceira página, os estudantes completam um quadro comparativo com brincadeiras tradicionais e digitais, como amarelinha, pular corda, videogame, esconde-esconde e jogos no celular.
O quadro ajuda a organizar as ideias e a visualizar as mudanças e permanências ao longo do tempo.
É importante permitir respostas diferentes, desde que sejam justificadas. A amarelinha, por exemplo, pode continuar comum em algumas comunidades e ser pouco praticada em outras. Essas diferenças tornam a discussão ainda mais interessante, pois mostram que as experiências das crianças não são iguais em todos os lugares.
Entrevista sobre memórias da infância
A quarta página apresenta uma proposta de entrevista com uma pessoa mais velha. O aluno deverá perguntar qual era a brincadeira preferida do entrevistado, onde ele costumava brincar, com quem brincava, quais materiais utilizava e quais eram as regras.
Essa página pode ser enviada como tarefa de casa ou realizada na própria escola com familiares, funcionários ou convidados da comunidade.
Ao final, o estudante deverá explicar por que a entrevista pode ser considerada uma fonte histórica oral. Nesse momento, espera-se que ele compreenda que o relato registra memórias, experiências e informações sobre o passado.
Ano passado, um aluno meu descobriu na entrevista que o avô fazia os próprios carrinhos de rolimã com restos de madeira, e o menino ficou tão fascinado que passou a semana inteira tentando montar um no quintal.
A proposta aproxima a escola das famílias e valoriza os saberes das pessoas mais velhas. Além disso, cria uma situação real de escuta, pesquisa e produção de registros escritos.
Brincadeiras na linha do tempo
Na quinta página, os alunos organizam acontecimentos relacionados às brincadeiras em uma linha do tempo.
Os cartões apresentam brincadeiras realizadas em ruas e quintais, a permanência das brincadeiras tradicionais, o surgimento dos jogos eletrônicos e a expansão dos jogos on-line e aplicativos.
A atividade permite trabalhar a noção de anterioridade, posterioridade, mudança e continuidade. Antes da realização individual, o professor pode ler cada cartão com a turma e discutir quais pistas ajudam a estabelecer a ordem.
Também é interessante conversar sobre o fato de que uma novidade não elimina automaticamente as práticas anteriores. Os jogos digitais passaram a fazer parte da infância, mas amarelinha, corda, pipa e esconde-esconde continuam sendo praticados.
Brincar com respeito
A última página apresenta situações relacionadas à convivência durante as brincadeiras.
Os estudantes analisam atitudes como desvalorizar uma brincadeira antiga, mudar regras para ganhar e participar de um encontro entre gerações. Depois, precisam explicar por que determinadas ações respeitam ou não a memória, a cultura e os direitos dos colegas. A gente sabe que no quinto ano a competitividade pega fogo e qualquer joguinho bobo vira motivo de discussão sobre quem roubou ou quem mudou a regra, por isso essa discussão sobre direitos e deveres é fundamental.
Essa etapa amplia o conteúdo histórico e o aproxima da formação cidadã. Os alunos percebem que valorizar as brincadeiras de outras pessoas também é uma forma de respeitar diferentes experiências culturais.
Ao final, cada criança cria uma regra de convivência para uma brincadeira coletiva.
Habilidades da BNCC relacionadas à proposta
O material indica as habilidades EF05HI07 e EF05HI09.
A habilidade EF05HI09 propõe a comparação de pontos de vista sobre temas presentes na vida cotidiana por meio de diferentes fontes, incluindo as fontes orais. Ela aparece de maneira bastante clara na entrevista, na troca de experiências e na comparação entre as brincadeiras de diferentes gerações.
A habilidade EF05HI07 trata da produção, hierarquização e difusão dos marcos de memória, além da presença ou ausência de diferentes grupos nesses registros. Para aprofundá-la, o professor pode conversar com a turma sobre quais brincadeiras são mais lembradas, quais aparecem nos livros e quais práticas culturais da comunidade raramente são registradas.
A sequência também pode dialogar com a EF05HI10, que envolve a análise das mudanças e permanências dos patrimônios materiais e imateriais, e com a EF05HI06, relacionada à comparação entre linguagens e tecnologias. A página sobre convivência pode ainda favorecer uma aproximação com a EF05HI04, especialmente nas discussões sobre respeito à diversidade e aos direitos humanos.
Sugestão de aplicação em três aulas
Primeira aula: levantamento dos conhecimentos prévios
Inicie perguntando aos alunos quais são suas brincadeiras preferidas e onde eles costumam brincar. Depois, registre no quadro exemplos de brincadeiras realizadas em espaços abertos, fechados e digitais.
Em seguida, aplique as três primeiras páginas. Durante a correção, incentive os alunos a justificarem suas respostas e a compararem suas experiências.
Segunda aula: memória e fonte oral
Retome o conceito de fonte histórica e apresente a entrevista. Explique que ouvir uma pessoa mais velha é uma forma de conhecer experiências de outro tempo.
A entrevista pode ser realizada em casa. Caso isso não seja possível, organize duplas para que os próprios estudantes conversem sobre lembranças de brincadeiras praticadas em diferentes momentos da infância.
Na aula seguinte, reserve um tempo para a socialização dos relatos.
Terceira aula: linha do tempo e convivência
Organize os cartões da linha do tempo coletivamente antes de solicitar o registro individual.
Depois, trabalhe as situações da página “Brincar com respeito”. Finalize construindo com a turma um pequeno conjunto de regras para brincadeiras coletivas.
A classe também pode escolher uma brincadeira antiga para vivenciar no pátio ou na quadra da escola.
Possibilidades de trabalho interdisciplinar
Em Língua Portuguesa, a entrevista pode ser explorada como gênero oral e escrito. Os alunos podem elaborar novas perguntas, registrar as respostas e produzir um pequeno relato sobre a experiência do entrevistado.
Em Educação Física, a turma pode conhecer e praticar brincadeiras tradicionais de diferentes regiões. Essa vivência ajuda a compreender que as brincadeiras também fazem parte da cultura corporal.
Em Arte, os estudantes podem ilustrar a brincadeira relatada na entrevista ou criar um cartaz comparando as formas de brincar em diferentes tempos.
Também é possível organizar uma exposição com fotografias, desenhos, relatos e objetos relacionados às brincadeiras da comunidade escolar.
Como avaliar a aprendizagem dos alunos?
A avaliação pode acontecer durante toda a sequência.
Observe se o estudante consegue identificar as brincadeiras representadas, analisar uma fonte visual, diferenciar mudanças de permanências, organizar acontecimentos em uma sequência temporal e reconhecer a entrevista como fonte oral.
Nas questões abertas, considere a coerência da justificativa e a capacidade de relacionar a resposta ao conteúdo estudado. Algumas perguntas permitem diferentes possibilidades, especialmente porque as formas de brincar podem variar conforme a família, a região e a realidade da comunidade.
Mais do que esperar respostas idênticas, valorize o processo de observação, comparação e argumentação.
Atividade gratuita com gabarito para imprimir
A atividade foi preparada em preto e branco, facilitando a impressão e permitindo que os alunos também possam colorir as ilustrações.
O arquivo acompanha gabarito para o professor, com respostas sugeridas e orientações para as questões pessoais ou dependentes da entrevista.
Este material é gratuito para uso pedagógico. Ele pode ser baixado, impresso e utilizado em sala de aula, reforço escolar ou tarefas. Para compartilhar com outros professores, encaminhe somente o link oficial desta postagem.
Não é permitido vender, redistribuir o arquivo completo em grupos, retirar os créditos ou publicar o PDF em outros sites e plataformas. Essas orientações ajudam a proteger o trabalho de criação e permitem que novos materiais gratuitos continuem sendo disponibilizados.
Uma atividade que conecta História, memória e infância
Trabalhar as brincadeiras de ontem e de hoje permite que a criança reconheça a si mesma como parte da História.
Ao comparar experiências, ouvir relatos e observar diferentes fontes, o estudante percebe que o passado não está separado de sua vida. Ele permanece nas lembranças, nos costumes, nos espaços da comunidade e nas brincadeiras que continuam sendo ensinadas.
Essa é uma proposta simples de aplicar, mas muito rica em possibilidades. Ela pode iniciar uma sequência sobre fontes históricas, complementar o estudo sobre mudanças e permanências ou transformar-se em um projeto envolvendo famílias e comunidade.
Baixe gratuitamente a atividade sobre brincadeiras antigas e atuais para o 5º ano e utilize o material para tornar as aulas de História mais próximas, participativas e significativas.






