Pesquisar na internet já faz parte da rotina de muitas crianças. Basta surgir uma dúvida para aparecer também a vontade de procurar a resposta no celular, no computador ou no tablet. O acesso à informação ficou mais rápido, mas isso trouxe um aprendizado importante para a escola: encontrar uma resposta não significa, necessariamente, ter encontrado uma boa informação.
Por isso, trabalhar a pesquisa digital nos anos iniciais vai muito além de ensinar o aluno a utilizar um mecanismo de busca. É preciso ajudá-lo a observar quem publicou determinado conteúdo, quando ele foi publicado, de onde vieram os dados apresentados, se há referências e se outras fontes trazem informações semelhantes.
Esta atividade sobre pesquisa e fontes digitais para o 4º ano foi desenvolvida justamente com esse propósito. Em diferentes situações de pesquisa, os alunos são convidados a comparar fontes, escolher termos de busca, analisar resultados e justificar suas decisões.
O material conta com 6 páginas de atividades e 1 página de gabarito e pode ser utilizado nas aulas de Tecnologia e Inovação, em propostas de letramento digital ou em trabalhos interdisciplinares que envolvam pesquisa.
Ensinar a pesquisar também é ensinar a fazer escolhas
Quando uma criança inicia uma pesquisa escolar, é comum acreditar que os primeiros resultados encontrados são suficientes. Também pode acontecer de ela considerar uma página confiável apenas porque apresenta um texto bem organizado, uma imagem bonita, números ou gráficos.
É nesse ponto que a mediação do professor se torna tão importante.
Aos poucos, os estudantes podem aprender a olhar além da aparência da página e procurar pistas que ajudem a compreender melhor a origem daquela informação.
Quem publicou?
Existe um autor identificado?
Há uma instituição responsável?
A página informa a data de publicação ou atualização?
Os dados apresentados indicam alguma fonte?
É possível confirmar aquela informação em outros lugares?
Essas perguntas aparecem de diferentes maneiras ao longo do material e ajudam a desenvolver uma atitude mais cuidadosa diante dos conteúdos encontrados na internet.
Não se trata de transformar crianças do 4º ano em especialistas na avaliação de sites, mas de iniciar um hábito que será necessário durante toda a vida escolar: não aceitar uma informação apenas porque ela apareceu na tela.
O que esta atividade trabalha?
As propostas foram organizadas para que o aluno avance aos poucos. Primeiro, ele observa características presentes em diferentes fontes. Depois, passa a comparar buscas e resultados, analisar divergências e, por fim, utilizar informações selecionadas em uma pequena produção.
Ao realizar as atividades, a turma poderá trabalhar:
- escolha de palavras e expressões para uma pesquisa;
- comparação entre diferentes fontes digitais;
- identificação de autoria;
- reconhecimento da origem de uma publicação;
- observação da data de publicação ou atualização;
- identificação da presença de referências;
- análise da finalidade de um conteúdo;
- comparação de informações encontradas em fontes diferentes;
- reflexão sobre dados e gráficos;
- seleção de informações relacionadas ao tema pesquisado;
- registro dos créditos das fontes utilizadas;
- produção de um minicartaz a partir de informações pesquisadas.
Um aspecto importante é que o material não apresenta a confiabilidade como uma questão de “certo ou errado” baseada em uma única característica. O aluno precisa observar o conjunto das pistas disponíveis e pensar antes de decidir.
Comparando fontes de informação
Na primeira proposta, os alunos encontram três fontes relacionadas ao consumo e ao uso consciente da água.
Cada uma traz informações diferentes sobre origem, autoria, data, instituição responsável e referências consultadas. A tarefa é observar essas características e identificar quais fontes apresentam cada elemento.
Depois dessa primeira leitura, surgem questões que exigem um pouco mais de reflexão.
Uma fonte deve ser descartada apenas porque não apresenta referências?
Uma única característica é suficiente para decidir se uma informação merece confiança?
As perguntas ajudam a romper com uma ideia bastante comum: a de que existe uma pista isolada capaz de garantir que determinado conteúdo seja totalmente confiável.
O que se espera é que a criança comece a perceber a importância de reunir diferentes indícios antes de formar uma conclusão.
Como fazer uma busca mais específica?
Digitar qualquer palavra no campo de pesquisa pode produzir milhares de resultados, muitos deles pouco relacionados ao que realmente queremos descobrir.
A segunda página trabalha justamente essa situação.
A turma deseja pesquisar por que as abelhas são importantes para os ambientes naturais e para a produção de alimentos. Diante dessa pergunta, são apresentadas várias possibilidades de busca, desde expressões bastante amplas até outras mais específicas.
O aluno precisa escolher quais termos provavelmente levariam a resultados mais próximos do assunto estudado e explicar o que tornou aquela pesquisa mais direcionada.
Essa comparação permite trabalhar algo simples, mas fundamental: as palavras utilizadas na busca interferem nos resultados encontrados.
A mesma página apresenta ainda diferentes bases de pesquisa, como portal de notícias, enciclopédia digital escolar e biblioteca digital de Ciências.
Assim, além de pensar no que escrever no campo de busca, a criança começa a observar também onde procurar.
Nem todo resultado de busca serve da mesma maneira
Na página seguinte, o tema da pesquisa muda: agora é preciso descobrir como descartar pilhas e baterias usadas.
Quatro resultados são apresentados, cada um com características próprias. Há conteúdo de blog, revista, portal e empresa.
A proposta pede que os estudantes observem origem, data e finalidade antes de decidir quais resultados consultariam primeiro.
Essa atividade abre espaço para uma conversa bastante rica em sala de aula.
Um texto publicado em um blog precisa ser automaticamente descartado? Não.
Uma informação publicada por uma empresa é necessariamente inadequada? Também não.
O mais importante é compreender quem está falando, com qual finalidade e quais elementos podem ser verificados.
Um relato de experiência pessoal, por exemplo, pode trazer informações interessantes, mas talvez não seja suficiente como única fonte de um trabalho escolar. Da mesma forma, uma empresa pode publicar orientações corretas e úteis, mas é importante considerar seu vínculo com o assunto e comparar o conteúdo com outras fontes.
Gráficos e números também precisam de origem
Outra proposta do material apresenta três fontes sobre o tempo de decomposição de determinados resíduos.
Uma delas identifica a instituição e apresenta referências. Outra possui autor e data, mas não informa referências. Uma terceira exibe números e gráficos, porém não esclarece de onde vieram os dados.
A partir dessas informações, os estudantes preenchem uma tabela comparativa e respondem a questões sobre as características das fontes.
A discussão central é muito pertinente para a educação digital: um gráfico, sozinho, comprova uma informação?
Não.
Gráficos e números podem tornar uma explicação mais clara, mas ainda é necessário descobrir de onde vieram os dados apresentados.
Essa é uma aprendizagem que merece ser construída desde cedo. Recursos visuais podem transmitir uma sensação de precisão e autoridade, mas o leitor cuidadoso continua perguntando pela origem das informações.
E quando as fontes não concordam?
Nem sempre uma pesquisa apresenta exatamente a mesma resposta em todos os lugares.
Para trabalhar essa situação, outra página mostra três informações sobre o tempo necessário para uma garrafa plástica se decompor. Os valores apresentados são diferentes: cerca de 400 anos, aproximadamente 450 anos e 500 anos.
Em vez de simplesmente mandar escolher um deles, a atividade leva o aluno a comparar os textos.
O que as fontes têm em comum?
Em que ponto elas divergem?
Alguma delas explica por que o resultado pode variar?
O que fazer quando encontramos valores diferentes?
A resposta mais cuidadosa não é escolher o maior número, o primeiro resultado ou a página com o título mais convincente. O caminho é consultar outras fontes adequadas e procurar entender as razões da diferença.
Esse tipo de situação aproxima a atividade da pesquisa como ela realmente acontece. Nem sempre encontraremos respostas idênticas, e aprender a lidar com essas diferenças também faz parte do processo.
Da pesquisa à produção de conteúdo
Na última página de atividades, os conhecimentos trabalhados anteriormente são colocados em prática em uma proposta mais completa.
O tema é:
Como reduzir a produção de lixo na escola?
Os alunos recebem quatro possíveis fontes de pesquisa e precisam escolher duas delas, justificando suas decisões.
Depois, retiram das fontes selecionadas uma informação principal e outra complementar. Também registram os créditos, anotando título, autor ou instituição e data, quando disponível.
Com as informações escolhidas, produzem um minicartaz com o título “Menos lixo na escola”.
Há ainda uma pequena revisão para que cada estudante verifique se:
- comparou mais de uma fonte;
- identificou a origem;
- registrou os créditos;
- escolheu informações relacionadas ao tema.
É uma maneira simples de mostrar que pesquisar não termina quando encontramos uma informação. Depois da busca vêm a seleção, o registro da origem e o uso responsável daquilo que foi encontrado.
Por que registrar a fonte utilizada?
Esse é um hábito que pode começar muito antes da produção de trabalhos acadêmicos.
Ao registrar o título, o autor, a instituição ou a origem de uma informação, a criança aprende que aquele conteúdo foi produzido por alguém e que essa autoria precisa ser respeitada.
O registro também permite voltar à fonte posteriormente, conferir uma informação e mostrar ao leitor de onde ela foi retirada.
Nas atividades para o 4º ano, esse processo aparece de maneira simples e adequada à idade. O objetivo não é ensinar regras complexas de referência bibliográfica, mas construir uma primeira compreensão sobre autoria, origem e responsabilidade no uso das informações.
Tecnologia e Inovação no 4º ano
No Currículo Paulista de Tecnologia e Inovação para os Anos Iniciais, a habilidade EF04TEC02 propõe que os estudantes utilizem sistemas de busca de informações em diferentes bases de dados, dentro do eixo Tecnologia Digital de Informação e Comunicação (TDIC).
As situações apresentadas neste material estão diretamente relacionadas a esse trabalho. Os alunos experimentam diferentes formas de busca, analisam bases e resultados e aprendem que selecionar uma informação exige critérios.
A proposta também permite uma aproximação interdisciplinar com Língua Portuguesa, principalmente com a habilidade EF35LP17, relacionada à busca e à seleção, com apoio do professor, de informações sobre fenômenos sociais e naturais em textos impressos ou digitais.
Dessa forma, o mesmo material pode contribuir tanto para a educação digital quanto para práticas de leitura, pesquisa e produção de textos.
Sugestão de aplicação em sala de aula
Antes de entregar as folhas, pode ser interessante começar com uma conversa bem próxima da realidade da turma.
Pergunte como eles fazem quando querem descobrir alguma coisa na internet.
Eles escrevem uma pergunta inteira?
Usam poucas palavras?
Costumam abrir o primeiro resultado?
Já encontraram duas respostas diferentes para a mesma dúvida?
Sabem descobrir quem escreveu uma informação?
As respostas provavelmente serão variadas e podem servir como ponto de partida para as atividades.
Nas páginas de comparação, vale pedir que os alunos expliquem oralmente suas escolhas. Muitas vezes, a justificativa revela mais sobre o que compreenderam do que a alternativa marcada.
Também é interessante evitar apresentar imediatamente uma lista pronta de “fontes confiáveis”. O próprio material favorece uma abordagem mais rica: observar várias características, comparar informações e aprender a desconfiar de conclusões rápidas.
Na proposta final, o minicartaz pode ser realizado individualmente, em duplas ou em pequenos grupos. Depois, os trabalhos podem ser compartilhados para que a turma observe quais fontes foram escolhidas e quais critérios apareceram nas justificativas.
Uma aprendizagem necessária dentro e fora da escola
Saber pesquisar é uma habilidade que continuará sendo utilizada pelos alunos nos próximos anos, em diferentes componentes curriculares e também fora da escola.
Quanto mais cedo eles compreenderem que uma informação tem origem, autoria, contexto e finalidade, melhores serão as condições para fazer escolhas conscientes diante do enorme volume de conteúdos disponíveis no meio digital.
É um trabalho que começa com atitudes pequenas: olhar a data, procurar o responsável pela publicação, observar a origem de um dado, comparar mais de uma fonte e perguntar quando alguma coisa não parece clara.
Pouco a pouco, essas atitudes deixam de ser apenas orientações dadas pelo professor e passam a fazer parte da forma como a própria criança pesquisa.
Atividade sobre pesquisa e fontes digitais para imprimir
O arquivo possui 6 páginas de atividades e 1 página de gabarito, em formato adequado para impressão.
As propostas abordam:
- análise de fontes digitais;
- autoria, origem, data e referências;
- escolha de palavras para buscas;
- comparação de diferentes bases de pesquisa;
- avaliação de resultados;
- informações divergentes;
- origem de números e gráficos;
- seleção e registro de informações;
- créditos das fontes;
- produção de minicartaz.
O gabarito acompanha o material e traz orientações para as questões objetivas e para aquelas em que podem ser aceitas diferentes respostas, desde que sejam coerentes com os critérios trabalhados.
Baixe gratuitamente a atividade
Se você está trabalhando pesquisa, letramento digital ou Tecnologia e Inovação com uma turma de 4º ano, este material pode complementar o planejamento e ajudar a transformar conceitos importantes em situações que as crianças conseguem observar e discutir.
Direitos autorais
Este material foi elaborado para uso pedagógico e está protegido por direitos autorais.
Você pode baixar o arquivo, imprimi-lo e utilizá-lo com seus próprios alunos.
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